Petshop Mercado: oportunidades em banho e tosa
O Brasil tem mais animais de estimação do que crianças. Não é exagero: segundo o IBGE, o país registra cerca de 149 milhões de pets, enquanto a população de crianças de até 14 anos gira em torno de 46 milhões. Esse dado, por si só, revela o tamanho do mercado que se abriu nas últimas décadas — e por que o segmento de banho e tosa se tornou uma das portas de entrada mais promissoras para quem quer empreender ou se qualificar profissionalmente.
Um setor que não para de crescer
O mercado pet brasileiro é o terceiro maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido. Em 2023, o setor movimentou R$ 68,7 bilhões, de acordo com dados da Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), com projeção de crescimento contínuo nos próximos anos.
Dentro desse ecossistema, os serviços de estética e higiene — banho, tosa, escovação, corte de unhas, limpeza de ouvidos — representam uma fatia relevante e de alta recorrência. Diferente de produtos que o tutor pode comprar esporadicamente, o banho e a tosa são serviços periódicos. Cães de raças como Poodle, Shih Tzu e Maltês, por exemplo, precisam de tosa a cada 30 ou 45 dias.
Por que banho e tosa é um negócio resiliente
Durante a pandemia de Covid-19, enquanto muitos segmentos colapsavam, o mercado pet demonstrou resiliência surpreendente. O vínculo emocional entre tutores e animais se aprofundou, e os gastos com cuidados dos pets não foram cortados mesmo em momentos de aperto financeiro.
Esse comportamento evidencia uma característica importante: o gasto com pets tem baixa elasticidade. Mesmo em crises, o tutor tende a manter serviços essenciais como higiene e saúde do animal. Para quem trabalha nesse setor, isso representa estabilidade de demanda difícil de encontrar em outras áreas.
O perfil do consumidor mudou
O tutor brasileiro contemporâneo trata o animal como membro da família. Segundo pesquisa do Instituto Qualibest, mais de 80% dos donos de pets no Brasil consideram o animal "filho". Isso muda completamente o padrão de consumo: há busca por qualidade, profissionalismo e até personalização nos serviços.
Cresce a demanda por serviços como tosa artística, spa pet, hidratação de pelagem e atendimento domiciliar — nichos que permitem cobrar mais e fidelizar clientes exigentes.
Oportunidades reais para profissionais e empreendedores
O mercado de banho e tosa oferece caminhos distintos para perfis diferentes:
- Emprego formal: petshops e clínicas veterinárias buscam constantemente profissionais qualificados. A rotatividade no setor é alta, o que gera vagas com frequência.
- Trabalho autônomo: muitos profissionais montam sua clientela própria, com atendimento em domicílio ou em estúdios independentes de pequeno porte.
- Empreendimento próprio: abertura de petshop, espaço de estética pet ou franquia. O investimento inicial pode ser relativamente baixo se comparado a outros negócios de serviços.
No caso do trabalho autônomo e do pequeno empreendimento, a barreira de entrada é acessível. Um profissional com qualificação técnica, boas ferramentas e estratégia de divulgação nas redes sociais pode construir uma carteira de clientes sólida em poucos meses.
A qualificação como diferencial competitivo
A popularização do setor trouxe também mais concorrência. Em regiões metropolitanas, é comum encontrar petshops a cada poucas quadras. Nesse cenário, a diferenciação passa diretamente pela qualificação técnica do profissional.
Saber identificar condições de pele, reconhecer sinais de estresse no animal durante o atendimento, dominar técnicas de tosa por raça e usar produtos adequados a cada tipo de pelagem são competências que separam o amador do profissional. Tutores exigentes percebem essa diferença e pagam por ela.
Cursos técnicos e de formação profissional na área de estética pet ensinam desde o manejo seguro dos animais até técnicas avançadas de tosa artística e grooming. A formação estruturada reduz erros, previne acidentes e aumenta a confiança do profissional no atendimento.
Desafios que o setor ainda enfrenta
Apesar das oportunidades, quem entra no mercado precisa estar atento a alguns pontos críticos:
- Regulamentação em evolução: projetos de lei em tramitação no Congresso buscam regulamentar a profissão de groomers e estéticas pet, o que pode exigir certificações formais no futuro.
- Bem-estar animal em pauta: casos de maus-tratos em petshops ganharam visibilidade nas redes sociais e criaram um novo nível de fiscalização por parte dos tutores. Profissionais que adotam práticas de manejo humanizado saem na frente.
- Precificação adequada: muitos profissionais iniciantes precificam abaixo do mercado por insegurança, o que compromete a sustentabilidade do negócio. Entender custos e valor percebido é parte essencial da gestão.
Perspectivas para quem quer entrar agora
O momento é favorável. A base de consumidores cresce, o ticket médio dos serviços tem subido e a profissionalização do setor ainda está em curso — o que significa que há espaço para quem chega preparado.
Quem investe em formação técnica sólida, adota postura ética no trato com os animais e constrói uma presença digital consistente tem condições reais de construir uma carreira ou um negócio sustentável nessa área.
O mercado pet não é modismo. É uma transformação estrutural na relação das pessoas com os animais — e essa transformação veio para ficar.




