Mercado pet retrai pela 1ª vez em seis anos no Brasil
Durante anos, o setor pet foi tratado como um dos mais resilientes da economia brasileira. Cresceu em tempos de pandemia, resistiu a crises e se consolidou como um dos maiores mercados do mundo no segmento. Mas 2025 trouxe uma virada: pela primeira vez em seis anos, o faturamento do setor recuou. Para quem sonha em trabalhar com animais, entender esse movimento é essencial — não para desistir, mas para se posicionar com inteligência.
O que os números revelam
O mercado pet brasileiro fechou 2025 com R$ 77,96 bilhões em faturamento. O valor é expressivo, mas representa a primeira retração depois de um ciclo de crescimento que durou de 2020 a 2023, quando o setor registrava expansões anuais de dois dígitos.
Os principais vilões dessa desaceleração são conhecidos de outros setores: inflação persistente e câmbio desfavorável. Ração, medicamentos veterinários e insumos para pet shops dependem fortemente de importações ou de matérias-primas atreladas ao dólar. Quando o real perde valor, o custo sobe — e o consumidor sente no bolso.
O resultado prático é que muitos tutores passaram a racionalizar gastos, adiando consultas eletivas, trocando marcas de ração ou reduzindo a frequência de serviços como banho, tosa e adestramento.
Retração não é o mesmo que colapso
É importante separar o que esse dado significa de fato. Um setor que movimenta quase R$ 78 bilhões por ano ainda é um gigante. O Brasil ocupa a segunda ou terceira posição no ranking mundial de mercados pet, dependendo da categoria analisada. A retração de 2025 é uma correção após um ciclo extraordinário, não um colapso estrutural.
Alguns dados ajudam a contextualizar:
- O Brasil tem mais de 160 milhões de animais de estimação, segundo estimativas do setor.
- Cães e gatos somam cerca de 60% desse total, mas aves, peixes e pequenos mamíferos também movimentam o mercado.
- A humanização dos pets — tendência de tratar animais como membros da família — segue firme e sustenta a demanda por serviços de saúde, bem-estar e alimentação premium.
O que muda não é o tamanho do mercado, mas o perfil do consumo. Em períodos de aperto, o tutor escolhe melhor onde gasta. E é justamente aí que entram os profissionais mais qualificados.
Onde a qualificação faz diferença nesse cenário
Quando o consumidor precisa fazer escolhas, ele tende a priorizar serviços que percebe como essenciais ou de alta qualidade. Consultas de rotina, vacinação, controle de parasitas e orientação nutricional continuam sendo demandas constantes — especialmente para tutores que já incorporaram o cuidado animal ao orçamento familiar.
O profissional que sai perdendo em períodos de retração é, em geral, aquele que oferece serviços genéricos sem diferenciação. Já quem tem formação técnica sólida e consegue agregar valor — seja pela especialização, pelo atendimento de qualidade ou pelo domínio de técnicas específicas — tende a manter sua carteira de clientes.
Algumas áreas que seguem aquecidas mesmo em cenários de ajuste:
- Saúde preventiva: vacinas, vermifugação e consultas de rotina são priorizadas mesmo em orçamentos apertados.
- Nutrição animal: orientar sobre alimentação natural ou escolha de rações adequadas virou diferencial competitivo.
- Estética e banho e tosa: serviço recorrente que, quando bem executado, gera fidelização independente de crises.
- Comportamento e adestramento: cresce com a urbanização e os desafios de criar pets em apartamentos.
O perfil do profissional que o mercado vai continuar contratando
A retração de vendas pressiona as margens dos pet shops e clínicas, o que aumenta a exigência por mão de obra mais eficiente e versátil. Um auxiliar veterinário que sabe manejar animais com segurança, entende protocolos básicos de saúde e comunica bem com o tutor vale mais do que alguém contratado sem nenhuma base técnica.
O mesmo vale para quem atua em grooming, recepção clínica ou venda de produtos. Conhecimento técnico aplicado ao atendimento gera confiança — e confiança é o que segura o cliente mesmo quando ele está cortando custos.
Além disso, o mercado tem demandado cada vez mais profissionais que entendam de gestão básica, precificação e relacionamento com clientes. Pequenos negócios pet — que representam a maioria dos estabelecimentos no Brasil — precisam de pessoas que ajudem a sustentar a operação, não só executar tarefas.
Uma retração que pode ser uma oportunidade
Momentos de desaceleração costumam filtrar o mercado. Quem entra bem preparado tende a ocupar o espaço deixado por quem não resistiu à pressão. Para quem está pensando em ingressar no setor pet como profissão — seja como auxiliar veterinário, tosador, recepcionista clínico ou empreendedor — este pode ser exatamente o momento de se qualificar antes da próxima retomada.
O mercado pet brasileiro tem fundamentos sólidos: base de tutores crescente, cultura de cuidado animal em expansão e demanda por serviços especializados que não vai desaparecer. O ciclo de retração de 2025 é, muito provavelmente, um ajuste de rota — não o fim de uma jornada.
Quem chegar qualificado ao próximo ciclo de crescimento vai encontrar um mercado mais seletivo, mais exigente e, justamente por isso, mais disposto a valorizar quem faz bem feito.




