Mercado Pet Brasil: oportunidades para auxiliar veterinário mesmo em tempos de retração
O mercado pet brasileiro viveu anos dourados durante a pandemia. Entre 2020 e 2023, o setor cresceu em ritmo acelerado, impulsionado pelo aumento da adoção de animais e pela mudança no comportamento dos tutores, que passaram a tratar seus pets com um cuidado antes reservado a membros da família. Em 2025, porém, veio a primeira freada: o setor faturou R$ 77,96 bilhões, mas registrou retração nas vendas pela primeira vez em seis anos — pressionado pela inflação e pela alta do câmbio.
Para quem ama animais e pensa em trabalhar nessa área, a notícia pode gerar dúvida: ainda vale a pena apostar numa carreira no universo pet? A resposta, com os dados e contexto certos, é sim — mas com alguns nuances importantes.
O que a retração do setor realmente significa
Antes de interpretar a queda como um sinal de crise estrutural, é preciso colocar os números em perspectiva. O Brasil segue sendo o terceiro maior mercado pet do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido. São mais de 160 milhões de animais domésticos registrados no país — e esse número não diminuiu.
O que aconteceu em 2025 foi uma compressão do consumo, não um abandono do segmento. Tutores reduziram gastos com itens não essenciais, como acessórios e petiscos premium importados, mas mantiveram — e em muitos casos ampliaram — os cuidados com saúde animal. Consultas veterinárias, vacinas, exames e procedimentos cirúrgicos continuam sendo prioridade para a maioria dos proprietários de pets no Brasil.
Isso significa que a área de saúde animal, especificamente, apresenta uma resiliência que outros nichos do mercado pet não têm.
Por que o auxiliar veterinário é uma das funções mais demandadas
Com a expansão das clínicas veterinárias nas últimas décadas — hoje o Brasil tem mais de 50 mil estabelecimentos registrados no setor —, a demanda por profissionais de apoio técnico cresceu junto. O auxiliar ou técnico em veterinária é a peça que mantém o atendimento funcionando no dia a dia.
Entre as funções que esse profissional desempenha estão:
- Contenção e preparo dos animais para exames e cirurgias
- Administração de medicamentos conforme orientação do médico veterinário
- Coleta de material para exames laboratoriais
- Suporte em procedimentos clínicos e cirúrgicos
- Orientação básica aos tutores sobre cuidados pós-consulta
- Manutenção e higienização do ambiente clínico
É uma função técnica, essencial e que exige formação específica — não apenas boa vontade com os animais.
Onde esse profissional pode atuar
A pluralidade de espaços de atuação é um dos pontos fortes da carreira. O auxiliar veterinário não está restrito às clínicas tradicionais. Veja alguns dos ambientes onde ele pode trabalhar:
- Clínicas e hospitais veterinários — o campo mais tradicional, com demanda constante em todo o país
- Pet shops com serviços integrados — muitos estabelecimentos contam com sala de vacinas e atendimento básico
- Agroindústrias e produtoras rurais — o cuidado com animais de produção também exige suporte técnico
- Canis, gatils e criadouros — ambientes que precisam de profissionais com conhecimento em manejo animal
- ONGs e organizações de proteção animal — que realizam castração em massa, vacinação e resgate
- Zoonoses municipais — serviços públicos que atuam no controle sanitário de animais
Formação técnica: o caminho mais rápido e acessível
Para atuar como auxiliar veterinário no Brasil, a formação técnica de nível médio é a porta de entrada mais eficiente. Diferente da graduação em medicina veterinária — que dura cinco anos e tem acesso mais restrito —, o curso técnico pode ser concluído em menos de dois anos e prepara o aluno para o mercado de trabalho de forma prática e direta.
O currículo desses cursos normalmente abrange anatomia e fisiologia animal, farmacologia veterinária básica, técnicas de contenção, primeiros socorros e noções de biossegurança. É um conjunto de conhecimentos que muda completamente a relação do profissional com o ambiente clínico — e com os animais.
O que o mercado espera desse profissional hoje
Além da formação técnica, os empregadores do setor valorizam algumas competências comportamentais específicas:
- Comunicação com tutores — saber conversar com o dono do animal com clareza e empatia
- Controle emocional — lidar com animais em sofrimento exige equilíbrio
- Atenção aos protocolos — erros em ambiente clínico têm consequências sérias
- Atualização contínua — medicina veterinária avança rapidamente, e o profissional precisa acompanhar
Uma carreira com propósito — e com mercado
É natural que uma retração no setor gere cautela. Mas o dado mais relevante para quem quer construir uma carreira no universo pet é outro: o vínculo afetivo entre brasileiros e seus animais não arrefeceu. Pesquisas mostram que, mesmo em períodos de aperto financeiro, o gasto com saúde animal é um dos últimos a ser cortado pelas famílias.
Isso coloca o auxiliar veterinário numa posição de relativa estabilidade dentro de um mercado que, mesmo oscilando, segue sendo um dos maiores do mundo. Para quem já tem o amor pelos animais, falta apenas transformar esse afeto em competência profissional reconhecida.
A carreira técnica em veterinária é, em muitos sentidos, uma escolha de propósito. E escolhas assim tendem a ter mais fôlego do que as que dependem apenas de modismos de mercado.




