Chupeta: saiba qual causa menos impacto na boca
Para muitas famílias brasileiras, a chupeta é quase um item obrigatório na mochila do bebê. Ela acalma, ajuda no sono, reduz a ansiedade nos primeiros meses de vida — e dá um respiro para os pais. Mas, à medida que a criança cresce, uma dúvida começa a rondar: será que esse objeto tão pequeno pode causar algum problema no desenvolvimento da boca?
A resposta é: depende. Do tipo de chupeta, do tempo de uso e de como o hábito é conduzido ao longo dos meses. Entender essas diferenças pode fazer uma grande diferença na saúde bucal da criança — e poupar dor de cabeça lá na frente.
Como a chupeta afeta o desenvolvimento bucal?
A boca de um bebê está em constante transformação. Os ossos da face, a arcada dentária e o palato (céu da boca) ainda são maleáveis nos primeiros anos de vida. Por isso, qualquer pressão repetida e prolongada sobre essas estruturas pode deixar marcas.
O uso frequente e prolongado da chupeta pode provocar:
- Alterações na posição dos dentes de leite (mordida aberta ou cruzada)
- Deformações no palato, que se torna mais estreito e arqueado
- Dificuldades na fala, especialmente em consoantes que exigem contato entre língua e dentes
- Interferência no padrão de respiração, favorecendo a respiração bucal
O ponto crítico, segundo especialistas em odontopediatria, não é apenas o tipo do objeto — mas o tempo de uso diário e a duração do hábito ao longo dos anos.
Qual modelo de chupeta causa menos impacto?
No mercado, existem dois formatos principais: a chupeta redonda (ou cereja) e a ortodôntica (ou fisiológica). A diferença entre elas vai além do visual.
Chupeta ortodôntica
Desenvolvida com base em estudos do desenvolvimento bucal infantil, ela possui um bico achatado na parte inferior, que imita melhor o formato do mamilo durante a amamentação. Esse design reduz a pressão sobre o palato e favorece uma posição mais natural da língua.
Para bebês que ainda mamam no peito, esse modelo tende a gerar menos confusão de bicos — o que é uma preocupação real para mães em fase de amamentação.
Chupeta redonda (cereja)
O formato esférico exerce pressão mais uniforme sobre o palato. Com uso frequente e por períodos prolongados, esse modelo está mais associado a alterações na arcada dentária, especialmente a mordida aberta frontal — quando os dentes superiores e inferiores não se encostam ao fechar a boca.
Isso não significa que a chupeta redonda seja proibida, mas exige mais atenção ao tempo e à frequência de uso.
Quanto tempo de uso é seguro?
Especialistas em saúde bucal infantil geralmente recomendam que o uso da chupeta seja gradualmente reduzido a partir dos 18 meses e interrompido até os 3 anos de idade, no máximo. Antes disso, os riscos de alterações permanentes na dentição definitiva são menores, já que os dentes de leite ainda podem se reposicionar.
A partir dos 2 anos, porém, o hábito começa a apresentar impactos mais difíceis de reverter espontaneamente, especialmente se a criança usar a chupeta por muitas horas ao dia.
Algumas orientações práticas que ajudam no processo:
- Evite oferecer a chupeta em todo momento de choro — tente identificar outras formas de conforto
- Restrinja o uso a momentos específicos, como a hora de dormir
- Não use mel, açúcar ou qualquer substância doce para "adoçar" a chupeta
- Higienize o objeto regularmente para evitar contaminação por fungos e bactérias
- Troque a chupeta quando apresentar sinais de desgaste ou deformação
Sinais de alerta: quando procurar ajuda profissional
Nem sempre é fácil perceber, no dia a dia, quando o uso da chupeta está causando problemas. Mas alguns sinais merecem atenção e devem ser avaliados por um dentista especializado em crianças (odontopediatra) ou por um pediatra:
- Mordida aberta: ao fechar a boca, os dentes da frente não se tocam
- Dentes superiores projetados para fora de forma visivelmente acentuada
- Dificuldades na fala como trocas frequentes de sons ou dificuldade em pronunciar certas letras
- Respiração predominantemente pela boca, ronco frequente ou boca sempre aberta durante o dia
- Dificuldade para largar a chupeta após os 3 anos, mesmo com tentativas da família
Nesses casos, quanto antes a avaliação for feita, maiores as chances de corrigir o problema sem a necessidade de aparelhos ortodônticos ou intervenções mais complexas.
O papel dos profissionais de saúde na orientação às famílias
Nos últimos anos, cresceu a busca por informações qualificadas sobre primeira infância — e com razão. Uma pesquisa conduzida por profissionais de saúde em Goiânia mostrou que pais de bebês e crianças pequenas têm alta demanda por orientação prática no dia a dia, o que levou ao desenvolvimento de plataformas digitais voltadas especificamente para esse público.
Esse movimento reflete um dado importante: famílias bem informadas tomam decisões mais seguras. E isso vale especialmente para questões como o uso da chupeta, que parecem simples, mas têm impacto real no desenvolvimento da criança.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de dúvidas sobre o desenvolvimento bucal ou comportamental do seu filho, consulte um pediatra ou odontopediatra.
Perspectiva final
A chupeta, por si só, não é vilã. Usada com critério, pelo tempo certo e com o modelo adequado, ela cumpre um papel legítimo no conforto do bebê. O problema surge quando o hábito se prolonga além do necessário — e quando a família não tem acesso a informações claras para tomar decisões com segurança.
Conversar abertamente com o profissional de saúde da criança, desde as consultas de puericultura, é o caminho mais eficaz. Pequenas escolhas na primeira infância constroem bases que duram a vida toda.




